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Porque A Arte Somos Nós

Quando renunciamos aos nossos sonhos e encontramos a paz – disse depois de um tempo – temos um pequeno período de tranquilidade. Mas os sonhos mortos começam a apodrecer dentro de nós, e infestar todo o ambiente em que vivemos. Começamos a tornar-nos cruéis com aqueles que nos cercam, e finalmente passamos a dirigir esta crueldade contra nós mesmos.

Surgem as doenças e as psicoses. O que queremos evitar no combate – a deceção e a derrota – passa a ser o único legado da nossa covardia. E um belo dia, os sonhos mortos e apodrecidos tornam o ar difícil de respirar e passamos a desejar a morte, a morte que nos livrasse das nossas certezas, das nossas ocupações, e daquela terrível paz das tardes de domingo.

Trecho de “O Diário De Um Mago”

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Fascinante a figura da Esfinge. Na arquitetura egípcia, ela é a Esfinge perto da aldeia de Gizé, gigantesca, agachada na areia do deserto, corpo de leão e rosto humano. Ela representa tudo que é estranho e insondável a respeito dessa antiga civilização. Tumba imponente, sepulcro de pedra, santuário maciço, esta faz-nos refletir sobre um povo que tinha a eternidade como princípio fundamental, que acreditava estar destinado a uma vida de milhões e milhões de anos. Pressentiam que falar o nome de um morto é fazê-lo ressuscitar na memória e na consciência. Aliás, era Quéfren, o nome do faraó quando a estátua foi esculpida.

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Através do excelente livro de Gustav Schwab (1792-1850), “As Mais Belas Histórias da Antiguidade Clássica”, somos convidados a adentrarmos os meandros das vidas dos deuses no Monte Olimpo, as suas vicissitudes e conflitos, os seus contatos próximos com mortais e o nascimento de semideuses que ora são protegidos, ora amaldiçoados. Ponto em comum, a eles o destino (fado) está traçado desde tempos imemoriais e, por mais que driblem as profecias da vidente, mudando inclusive de cidade-Estado, não tem como: o acaso fará com que se cumpra a profecia.

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Nota: Os filmes selecionados têm como parâmetro a estreia nas salas de cinema portuguesas ou plataformas de streaming durante o ano de 2025, e não a sua estreia a nível internacional.

Daqui a uns anos, quando abrirmos os livros de cinema, não encontraremos 2025 entre os destaques da década e muito menos da história, como esbarramos, por exemplo, com 1939 e 1975. Quererei com isto dizer que foi um ano desastroso? Nem por isso. Dificilmente seria, com a explosão de produções e o crescente acesso a influências sem fim. Haverá sempre quem consiga inventar, captar essência e ornamentar através desta tecnologia que acaba de celebrar 130 anos. No entanto, se foi esta a arte que conquistou o imaginário do século XX, não é menos verdade que hoje continua a tentar encontrar rumo num chão escorregadio.

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— Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar – replicou o rei. — A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.

Trecho de “O Principezinho”

Publicado em 1943, “O Principezinho” (Editora Agir, 2009, 96 páginas) de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) é um dos livros mais traduzidos e vendidos do mundo, considerado por muitos o 3.º da lista (certamente perdendo apenas para a “Bíblia” e William Shakespeare). Mas, o que faz um livro aparentemente simples, com um título que pode remeter imediatamente a um livro infantil, ser tão considerado? Vencido o preconceito de que a narrativa é para miúdos e de fácil assimilação, ao lermos a obra deparamo-nos com um receituário filosófico de inestimável valor. Um livro para todos nós adultos, na esperança de recuperarmos o miúdo que existe em nós.

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